Medicamentos para emagrecimento: quando são indicados?

Introdução

Muitos pacientes ouvem falar sobre remédios para emagrecer e têm dúvidas: eles são seguros? Quem pode usar?

O uso de medicamentos para emagrecimento são uma opção terapêutica reconhecida quando a obesidade ou o sobrepeso com complicações representa um risco à saúde.
A obesidade é uma doença crônica associada a diversas condições graves, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono e doenças cardiovasculares, e seu tratamento deve ser individualizado e baseado em evidências científicas confiáveis.


Quando o tratamento medicamentoso é considerado?

Segundo as diretrizes brasileiras elaboradas pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o tratamento farmacológico pode ser considerado quando:


Medidas não medicamentosas (alimentação saudável, atividade física e mudanças no estilo de vida) não foram suficientes para alcançar a perda de peso e melhorar os riscos à saúde;
● O paciente apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) ≥ 30 kg/m² (definição de obesidade) ou
IMC ≥ 27 kg/m² com comorbidades associadas ao excesso de peso, como diabetes, hipertensão ou dislipidemia (níveis elevados de colesterol no sangue).


Esses critérios aproximam-se dos parâmetros usados internacionalmente — reforçando que a indicação não é estética, mas sim clínica e de saúde pública.

A decisão de optar pelo tratamento medicamentoso, deve ainda levar em conta fatores como idade, presença de comorbidades, riscos cardiovasculares, efeitos colaterais e expectativas do paciente, sempre com acompanhamento médico.


Principais medicamentos aprovados pela ANVISA

Nos últimos anos, a ANVISA ampliou as opções de medicamentos aprovados para tratar obesidade e sobrepeso no Brasil — com foco em eficácia e segurança quando usados em conjunto com dieta e atividade física:

Semaglutida (ex.: Wegovy®)
● Aprovada em 2023 para tratamento de obesidade e sobrepeso com comorbidades em adultos;
● Atua imitando o hormônio GLP-1, que aumenta a sensação de saciedade, contribuindo para redução do apetite e perda de peso.
● Também aprovada para uso em adolescentes a partir de 12 anos em casos selecionados de obesidade.

Tirzepatida (Mounjaro®)
● Em junho de 2025, a ANVISA aprovou o uso de Tirzepatida para tratamento de sobrepeso com comorbidades e obesidade no Brasil;
● É um medicamento que atua em dois hormônios (GLP-1 e GIP), promovendo redução do apetite, diminuição da velocidade de esvaziamento do estômago, melhora do controle glicêmico e melhora do metabolismo corpóreo, com resultados expressivos de perda de peso em estudos clínicos.


Naltrexona/Bupropiona (ex.: Contrave®)
● Combinação aprovada no Brasil e utilizada por via oral para tratamento da obesidade crônica, geralmente indicada quando outras estratégias falham.
● Essa opção medicamentosa é indicada em especial para pacientes com dificuldade no controle do apetite e que se alimentam por alterações emocionais, utilizando a comida como forma de conforto, como no caso da
compulsão alimentar. Nesse caso, além da medicação e manutenção de uma rotina de saudável, é imprescindível o acompanhamento psicológico.

Medicamentos mais antigos também aprovados

Outros medicamentos com aprovação na bula da ANVISA incluem:
Sibutramina e Orlistat, que ainda podem ser usados em situações selecionadas – como pacientes sem comorbidades associadas – sob supervisão médica.


Critérios e Diretrizes da ABESO

A ABESO, em documento técnico atualizado e amplamente referenciado, reforça que o tratamento medicamentoso da obesidade deve:
● Ser recomendado apenas por médico habilitado, após avaliação clínica completa;
● Ser sempre associado a orientações sobre estilo de vida, como alimentação saudável, atividade física e suporte comportamental;
● Considerar não apenas o peso, mas os riscos à saúde e as metas individuais, com objetivos realistas, como perda de pelo menos 10% do peso corporal para melhora de comorbidades.


As diretrizes ressaltam ainda que, mesmo com novas opções terapêuticas eficazes, o uso inadequado de medicamentos não aprovados ou manipulados sem controle sanitário pode trazer risco à saúde e não deve ser adotado.


Conclusão

Os medicamentos para emagrecimento têm um papel importante no tratamento da obesidade quando indicados de forma criteriosa e individualizada. A indicação se apoia em critérios clínicos, evidências científicas e em diretrizes de sociedades médicas reconhecidas, sempre com acompanhamento médico e como parte de um tratamento global da doença — não apenas para perda de peso estética.

Em caso de dúvida procure o Dr. Igor Oliveira Guimarães, médico em Porto Alegre/RS.


Referências científicas:

Referências

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Guia alimentar para a população brasileira. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.
  2. Berthoud HR, Münzberg H, Morrison CD. Blaming the brain for obesity: integration of hedonic and homeostatic mechanisms. Gastroenterology. 2017;152(7):1728–1738.
  3. Morton GJ, Meek TH, Schwartz MW. Neurobiology of food intake in health and disease. Nat Rev Neurosci. 2014;15(6):367–378.
  4. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Obesidade: diagnóstico e tratamento. São Paulo: SBEM; 2022.
  5. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes brasileiras de obesidade. 4ª ed. São Paulo: ABESO; 2022.
  6. World Federation of Obesity. Obesity: causes, mechanisms and clinical management. London: World Obesity Federation; 2021.

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