Por que dietas restritivas não funcionam a longo prazo?

Introdução

Dietas restritivas — aquelas que cortam drasticamente calorias ou eliminam grupos alimentares inteiros — costumam ganhar popularidade por prometerem perda de peso rápida. Entretanto, embora possam trazer resultados no curto prazo, a ciência e as diretrizes de saúde mostram que elas não funcionam de forma sustentável e podem até ser prejudiciais a longo prazo.


1. Perda de peso inicial é seguida por “efeito sanfona” quase certo

Dietas muito restritivas geralmente resultam em perda significativa nos primeiros meses. No entanto, estudos com acompanhamento de longo prazo mostram que a maioria das pessoas recupera o peso perdido e muitas vezes termina pesando mais do que antes. Isso ocorre, uma vez que essas dietas não criam mudanças de hábitos duradouras e o corpo se adapta à restrição. Por exemplo, uma revisão de estudos clínicos observou que a perda de peso em dietas com restrição calórica é modesta após vários anos e que o “efeito rebote” de peso é comum.


2. O corpo reduz o metabolismo em resposta à restrição severa

Quando a ingestão calórica fica muito baixa, o organismo entra em um modo de “economia de energia”. Isso inclui redução da taxa metabólica basal, diminuição da queima de calorias e ajustes hormonais que aumentam a fome e reduzem a saciedade. Esse mecanismo biológico torna mais difícil manter a perda de peso e favorece o retorno ao peso anterior ou até um ganho adicional após o fim da dieta. 


4. O que dizem as diretrizes e protocolos de saúde

Instituições como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) enfatizam que o emagrecimento saudável exige mudanças de hábitos alimentares e estilos de vida, e não a busca por dietas radicais que “funcionam rápido”. A abordagem de inclusão e reeducação alimentar tem mais chance de ser mantida do que a exclusão drástica de alimentos. 


5. Piora da saúde nas dietas restritivas

A American Heart Association (Sociedade Americana do Coração) e outras entidades de saúde reforçam que dietas da moda — muitas vezes muito restritivas — podem até piorar a saúde em vez de melhorá-la. Em vez disso, elas recomendam padrões alimentares saudáveis e variados, pois possuem evidência de benefícios à saúde cardiovascular e metabólica e são mais sustentáveis a longo prazo.


6. Dietas restritivas ignoram a complexidade da obesidade

A obesidade não é apenas resultado de uma equação simples de calorias ingeridas versus calorias gastas — ela envolve fatores genéticos, metabólicos, hormonais, psicológicos, sociais e ambientais. Programas de emagrecimento que focam apenas na restrição calórica sem abordar esses fatores tendem a falhar no longo prazo.


7. Efeito sanfona e riscos à saúde

O “efeito sanfona” — caracterizado por ciclos repetidos de perda e ganho de peso — não só é frustrante psicologicamente, mas também está associado a riscos maiores de doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e maior dificuldade na perda de peso em tentativas posteriores. 


Conclusão

Embora dietas rígidas possam parecer tentadoras por oferecerem resultados rápidos, elas quase nunca resultam em perda de peso sustentável a longo prazo. O caminho mais eficaz e saudável passa por equilíbrio, variedade alimentar, mudanças comportamentais e suporte profissional, que favoreçam resultados duradouros e melhorem não só o peso, mas a saúde geral.

Referências científicas:

  • 1. Dansinger ML, Gleason JA, Griffith JL, et al. The long-term effect of energy restricted diets for treating obesity: systematic review. Obesity Society. 2015. 
  • 2. Healthline. Fad Diets: Why They Don’t Work, Sustainable Changes, and More. 2025. 
  • 3. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Melhor do que Dietas de Verão. Publicado 2026. 
  • 4. American Heart Association. Research says fad diets don’t work. 2022. 
  • 5. Khattab R. Weight Loss Programs: Why Do They Fail? A Multidimensional Approach for Obesity Management. Curr Nutr Rep. 2024. 
  • 6. Os riscos das dietas restritivas e do “efeito sanfona”. SEGS Portal Nacional. 2026. 

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